É uma luta desigual a que se trava contra o câncer, é uma doença realmente democrática, não faz acepção de pessoas. Do princípio, o impacto universal, o primeiro momento, aquele do choque, do susto, o do "meu mundo caiu", enfim, do chão que se abre aos nossos pés, bem à nossa frente, define-se a estrada, e iniciamos uma longa caminhada, até o que consideramos o fim da história, é quando atravessamos a barreira do tempo de 5 anos, como o atleta ultrapassa a linha de chegada, competindo numa maratona, e alcança a vitória tão almejada. Infelizmente, muitas vezes, esse fim pode ser como a inalcançável linha do horizonte, mas vê-se lá, é a motivação necessária e indispensável, é a fé, a que move montanhas, a que nos fortalece e nos revela, ao mundo, pessoas resilientes, e assim, descobrimos e aprendemos coisas inacreditáveis sobre nós mesmos, dentre elas, talvez a principal, a possibilidade de viver com plenitude o que as limitações permitem, e nesse ponto, muitas vezes podemos incorrer no erro de nos considerarmos imunes, isentos ao "mal", como se cada um tivesse a sua própria cota de dor causada por uma doença, e nós já cumprimos a nossa. Daí, quando a expressão 'será que já vi, ou melhor vivi, esse filme antes?' nos invade, vem com um pesar aterrorizante, como uma avalanche, um vulcão que ameaça entrar em erupção, e a gente se permite o choro, o medo, a incerteza, como que para pegar impulso e seguir na caminhada, a longa caminhada rumo à linha do horizonte, que somente a fé nos possibilita enxergar, e dessa vez, também, o mais importante não é mirar o objetivo, mas sim, não perder a paisagem ao redor até ele, ou seja, viver com plenitude tudo o que for possível no caminho, que segue para muito além do horizonte.
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