quinta-feira, 28 de maio de 2009

De volta pra casa

"Existe um selo sobre a minha vida que ninguém pode apagar, é a marca da promessa do Deus vivo sobre mim, eu fui marcada pela promessa de Deus!
...
O meu Deus nunca falhará, sei que chegará minha vez, minha sorte Ele mudará diante dos meus olhos."
EU NÃO MORREREI ENQUANTO O SENHOR NÃO CUMPRIR EM MIM TODOS OS SONHOS QUE ELE MESMO SONHOU PRA MIM.
Estive ausente uns dias, 8 dias no hospital, mais uma cirurgia. Dessa vez, retirada de 17 linfonodos cervical direito, 7 linfonodos cervical esquerdo, com esvaziamento radical direito, esvaziamento severo esquerdo, traqueostomia... O corte no pescoço vai de uma orelha à outra. Bom, ainda não consigo ver direitinho o corte, mas vejo bem a cara das pessoas quando olham, é de assombrar mesmo. Sinto-me bem, graças a Deus, feliz de haver um tratamento depois daqui, e certa do milagre que Deus já vem fazendo, me sustentando em cada momento, porque é doloroso, sem palavras pra expressar, mas a misericórdia dEle é infinitamente maior e eu estou aqui, com o coração grato em tudo, e por tudo, principalmente por todos os amigos e amigas, uns bem de perto, outros, a milhas daqui, mas todos muito presentes na minha vida, enchendo-a de atenção, amor, zelo, cuidado, enfim...
Grande abraço, e até breve.

domingo, 3 de maio de 2009

E ACONTECEU COMIGO!

O dia em que o meu mundo ruiu. 
Num sábado de outubro de 2008, uma festa em comemoração ao Dia do Professor era o meu programa. Começaria às 10h, mas antes, daria tempo de ir ao médico para uma consulta periódica, não dava mais pra adiar, deveria retornar em três meses, porém mais de quatro havia passado. Já contava onze cirurgias na prega vocal direita, e quase dois anos desde a última. Que recorde maravilhoso. Mas sentia que não permaneceria por mais tempo, ultimamente vinha sentindo sintomas que fazia questão de não dar muita atenção, mas sabia que não ia conseguir escondê-los por muito tempo. E foi nesse espírito que entrei no consultório do Dr. André no fim daquela manhã, preparada para a possibilidade da próxima cirurgia. Seria bom afinar “as cordas”, afinal estava muito afônica. Além disso, é só um mês de repouso, bom para refletir, repensar valores e desejos, sempre aproveitava esses momentos para a famosa faxina emocional.

Achados nos Perdidos de longo tempo. O que antes era tristeza, hj seria prazer... Quisera ter de novo a minha voz.



LARINGECTOMIA PARCIAL DIREITA


Ao entrar no consultório, depois de mais de 1 ano da última cirurgia, estava preparada psicologicamente para ouvir da necessidade de mais uma, estava muito rouca, como nunca estivera. Mas o exame não revelava papiloma, e sim a corda vocal direita imobilizada. Eu não tinha noção do que poderia significar... O médico falou vagamente de algumas hipóteses, como uma virose, ou uma infecção, mas isso não me convenceu, e perguntei o que poderia ser, na pior dessas hipóteses, e a resposta foi a mais terrível, aquela palavrinha que os supersticiosos nem pronunciam, e eu que nem sou, nem gostava de pronunciar. Meu mundo desmoronava, e eu começava a perceber que tudo que havia "sofrido" até agora com essa doença, não era nada diante do que começaria a viver. E assim, fui àquela festa naquele dia, contagiando a todos como sempre com a minha alegria, alto astral, a minha voz e meu violão... 


A CONSTATAÇÃO
Uma tomografia computadorizada sugeria neoplasia, então no dia 12 de novembro eu era hospitalizada para a cirurgia, retirada de metade da laringe, se a biópsia confirmasse a neoplasia, o que foi confirmada. Depois de 8 dias no hospital, voltei para casa usando um traqueóstomo, que retirei no 20º dia.
Tive uma atenção toda especial dos meus familiares, amigos, colegas de trabalho, da minha fono Edna, do meu médico Dr. André, do César, meu marido, que foi uma bênção na minha vida.
DEPOIS DA CIRURGIA, as consultas eram mensais, os exames de laringoscopia revelavam uma melhora gradativa, revelavam também a necessidade de uma pequena correção para uma abertura na garganta, pois havia ficado estreito e dificultava a respiração e a fala. Também havia me consultado com um oncologista (26/03), ao qual deveria ir regulamente, questão de segurança mesmo. O exame com esse médico no ICC (Instituto do Câncer do Ceará) revelou que eu estava muito bem, e ele pediu vários exames que eu deveria retornar para apresentá-lo. Acomodei-me um pouco, não providenciei esses exames, mas o faria depois da consulta ao meu otorrinolaringologista Dr. André, marcada para 30/04 véspera do meu aniversário.
A laringoscopia mostrava, como sempre, uma melhora na laringe, e o médico decidiu que já era hora de fazer a abertura para me dar uma qualidade de vida, que eu já não tinha. Mas ao examinar o pescoço, ele encontrou um caroço, cujo nome é linfonodo, e logo me encaminhou para fazer uma ultrassonografia cervical. O resultado desse exame sugeria malignidade, mas Dr. André não se convencia, e explicava cientificamente outras possibilidades. Então me encaminhou para fazer uma Tomografia Computadorizada e uma Punção para biópsia nos linfonodos, que eram, na verdade, três. A TC sugeria metásteses, mas aguardamos o resultado da biópsia, que confirmou a malignidade, e imediatamente fui internada.


E ACONTECEU DE NOVO
Lá estava eu, 8 dias no hospital, parecia eterno. Esvaziamento Cervical. O procedimento seria: retirar os linfonodos e enviar para a biópsia, que se negada malignidade, a cirurgia terminaria ali mesmo, entretando, se confirmada, como de fato foi, o médico continuaria com um esvaziamento radical direito, esvaziamento severo esquerdo, traqueostomia... O corte no pescoço vai de uma orelha à outra.
A traqueostomia era o que mais me apavorava, mas já estava conformada. Entretanto, a pior surpresa foi saber que eu passaria por ela acordada, somente sob anestesia local. Era preciso, seguro, pois seria arriscado não conseguir me intubar por causa do estreitamento. E foi assim que assisti a isso de camarote.
Poderia falar de dores, de desconfortos, sofrimentos, mas além de ninguém poder ter uma noção completa de tudo isso, prefiro falar da providência de Deus para amenizar as dores, as noites bem dormidas naturalmente, ou seja, não à base de tranquilizantes, e principalmente a sabedoria de perceber um mundo de sofrimentos ao meu redor, enquanto eu ali rodeada de pessoas maravilhosas querendo compartilhar comigo do meu sofrimento, tornando de fato o meu sofrimento muito menor.