Uns dias bem, outros nem tanto... Mas a certeza de que a cada dia me sinto melhor, e a esperança de que tudo será sempre muito melhor daqui pra frente.
Minha última sessão de quimioterapia estava marcada para o dia 21/10. Como meus exames apresentaram uma alteração comprometedora nos leucócitos e neutrófilos, foi adiada para dia 23, quando repeti os exames e embora não estivessem totalmente normalizados, não apresentavam mais perigo, então tomei a última dose, muito feliz por ser a última, e confiante de que não sentiria muito os efeitos, no que estava completamente iludida. Isso foi na 6ª feira, na 4ª da semana seguinte fiz a 36ª sessão e última da radioterapia. Que alívio! Que maravilha chegar ao fim dessa caminhada tão difícil. Dei glórias ao meu Deus que me sustentou e só por isso consegui.
Nessa semana pós-última-quimio, o único alimento que "descia" era o leite chamyto. Não conseguia comer mais nada, nem água, nem o golinho de água de côco duas, três vezes ao dia que conseguia antes, nessas alturas, nem isso. Assim, era leite chamyto 3 vezes ao dia: no café da manhã, almoço e jantar. Já estava há 7 dias nessa dieta, quando depois do jantar, tive um acesso de tosse, e de repente, uma dor de cabeça latejante, como nunca sentira antes. Era muita dor. Uma dor desesperadora. Fomos pro Hospital do Câncer, onde deveria ir, por orientação médica, se sentisse muito desconforto no período pós-quimio. Lá, aplicaram soro e remédio pra dor. Minha pressão estava alta, 18/12. Voltei pra casa melhor, sem dor, e no dia seguinte comecei a batalha pra me alimentar, provavelmente estava fraca porque estava sem me alimentar. Dois dias depois já conseguia comer alguma coisa, como uma fruta, tomar algum líquido, mas senti novamente a dor, era sábado à noite, não quis mais ir ao hospital, e tomei soro e remédio pra dor em casa, fui até madrugada, mas no domingo senti novamente e novamente tomei soro. Nesse dia, a Bia deu plantão aqui. A Bia é tia do César, meu marido, é enfermeira e evangélica, uma pessoa maravilhosa, que tem estado muito presente na minha vida nesse tempo todo. Consegui me alimentar muito bem, senti fome, comi bastante, pensei que ficaria bem, pois se as dores de cabeça eram por falta de alimentação, agora já estava conseguindo comer. Mas no dia seguinte, felizmente era feriado, dia 2/11 todos em casa comigo, senti uma dor terrível, fomos ao Hospital, dessa vez ao Monte Klinikum, porém só aplicaram soro e remédio pra dor, e quase nem queriam me atender quando souberam do histórico de tratamento de ca, alegando que eu deveria ir ao Hospital do Câncer. Voltei pra casa e no dia seguinte fui ao meu médico, Dr. André, otorrinolaringologista, que identificou uma virose, um princípio de infecção, sinusite. Trocou a cânula de traqueostomia e tomei antibiótico por 15 dias. Ainda senti dores na cabeça, sempre que tossia, porém não tão fortes, iam diminuindo a cada dia. Também comecei a verificar e anotar a minha pressão, que oscilava sempre que eu tossia e sentia a dor, mas nos minutos seguintes ela normalizava. Depois do 8º dia de antibiótico, a pressão não oscilava mais. O meu oncologista, Dr. Fernando Bastos, havia me encaminhado, por causa das dores, a um cirurgião vascular, neurologista e cardiologista, e em todos, os exames se apresentaram normais, graças a Deus, então ficou definido mesmo que tudo isso fora causado por essa virose, princípio de infecção. Desde lá, troquei, no início, a cânula a cada 15 dias, hoje troco mensalmente.
No início de janeiro fiz uma laringoscopia, ainda muito inchaço por causa da radio, uma estenose laríngea grande, mas estou voltando a falar aos poucos, a cada dia a voz está mais forte. Há muito desconforto por causa do traqueóstomo. Em dezembro tive que tomar injeção de corticóide e nessa semana tive que tomar outra. Estou usando o Allevyn Tracheo, excelente curativo almofadinha para proteção da pele ao redor do traqueóstomo e provavelmente no próximo mês possa colocar uma válvula fonatória. Agora é aguardar mais uma pouco, esperar que o inchaço da radio diminua pra retirar o traqueóstomo, mas sem previsão, uma tomografia revelará o grau de estenose e dependendo dele, farei uma cirurgia (mais uma) para melhorar a abertura da passagem de ar, e só então será possível retirar o traqueóstomo, por enquanto ainda dependo e vou depender dele para respirar.
Também fiz 20 sessões de fisioterapia motora e drenagem linfática no pescoço, o que me proporcionou muito conforto, devo retomar em fevereiro essas sessões.
No penúltimo dia do ano perdi meu pai, que já vinha há um ano apresentando sintomas de alzheimer. Senti uma dor sem igual, na alma, no ego, um sentimento de perda inefável. Mas a chegada de um novo ano tem sempre a magia da esperança, do começar de novo, e assim foi também em mim, a esperança de dias melhores em 2010. Menos dores, mais dias felizes.
Que o SENHOR abençoe a todos nós!