Indefinível substantivo abstrato sufocando minha mente com pensamentos impreteríveis: a dor... concreta, impossibilitando planos, e abstrata, impedindo os sonhos. Esse foi o primeiro sentimento que me invadiu a alma quando me deparei com a nova realidade para a minha vida. Primeiro de muitos outros, nem sempre menos ruins, mas sempre menos depressíveis. Nada mais estava em meu poder de decidir, senão escolher entre viver bem o que a doença me permitisse, e viver mal o que poderia me restar de vida. Escolhi viver. Bem. Intensamente. Não como se fosse morrer amanhã, mas como se fosse, e como de fato vou, apesar da doença, viver muitos anos. Assim, foi em Deus em quem primeiro me agarrei, e daí, fui me agarrando a todas as possibilidades, a todos os fios de esperança, alimentando sonhos, projetando realizá-los. Também criei referenciais, como o vice-presidente José Alencar, que no ranking de cirurgias ganha de mim por um; Steve Jobs; a jovem que mora no final da minha rua, meus amigos virtuais Diego, Isabela, Jorge, Penha, Marluce, entre outros... E meus nobres admiradores, para os quais sou referencial e não posso deixar de ser, por eles e por mim.
A notícia sobre o meu para sempre Presidente Lula, o Cara, faz-me reviver esse sentimento de impotência diante da vida, a lembrança da constatação de que a minha voz charmosa e rouca era mais além disso, mas também me faz relembrar quanto tempo já passou, e cada momento ruim que foi muito bem superado, a dor que até ainda há, porém é tudo tão menos intenso do que o valor da vida, a vontade de viver. E assim como foi e é esse desafio para mim e para tantos outros, será para ele, referencial para milhões, ele, por natureza, que já é um "cabra valente", intensificado pela força sobrenatural, que só pode vir do Senhor, e é o que nos dá força para continuar, ele também vencerá, e será para mim um referencial além da política.