Infelizmente há muito pouca atenção, em se tratando de estética e conforto, aos traqueostomizados. Já pesquisei bastante e não há nada além de cânulas de metal, como o próprio nome sugere, duras e desconfortáveis ou cânulas de silicone, termossensíveis, maravilhosamente adaptáveis à traqueia, porém, com a válvula de voz, chegam a custar dez vezes mais que a de metal, o que não seria tanto, se não tivesse que ser trocada periodicamente, e a sugestão do fabricante é que essa troca seja mensal. Mesmo assim, ainda não são 100% confortáveis, pois com a válvula acoplada, da base chega-se a ter um prolongamento de 3,5cm, ou seja, muito longa, a gente bate e machuca, às vezes fica muito dolorido. A dificuldade de proteção é ainda maior, não há sugestão, nenhuma orientação, então a gente vai "aprendendo na marra". Tive a ideia de usar máscara cirúrgica descartável, depois de ganhar um protetor, ai meu Deus, que horror, parecia uma babador de bebê, de um tecido muito grosso. E para sair, uso lencinhos no pescoço, tentando dar o charme da moda, o clima aqui não ajuda, mas não tenho outra opção. Ah, sem falar no cordãozinho do pescoço, o famoso fixador. Há os cordõezinhos de viés, que chegam a ferir o pescoço, tem um que se compra na farmácia, é confeccionado com algodão atóxico, hipoalergênico e antiescaras, propicia maior conforto,.porém o fecho é com velcro e aí fere também. Mas é o que uso, revezando com um que encontrei na internet, ele é de esponja, não machuca, é bem macio, mas é largo e esquenta muito, ainda por cima é azul. E quanto à higienização? A gente se vira...
Não consegui ainda descobrir qual é o número de pessoas traqueostomizadas no Brasil, certamente não é uma categoria que atraia a atenção para investimentos em prol do nosso bem estar, e assim, há uma exclusão natural, dificultando ainda mais a nossa luta para nos reintegrarmos à sociedade. Já conheço algumas pessoas que ainda não conseguem... Eu sou teimosa e atrevida, estou tentando!
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